Psicología y Educación Integral A.C. 
Revista Internacional PEI: Por la Psicología y Educación Integral
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Volumen IV. Número 7. Julio-Agosto 2014
 
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                  1. ESTRUTURA FATORIAL E DIFERENÇA DA REATIVIDADE INTERPESSOAL EM JOVENS RELIGIOSOS, MILITARES E CIVIS.


                  1. NILTON S. FORMIGA1, REBECA C. M. PIRES2, GISÉLIA SOARES TAVARES2

GILMARA MOREIRA DE VASCONCELOS2, AMANDA V. V. S. AGUIAR2

FACULDADE MAURICIO DE NASSAU- FMN

João Pessoa, PB, Brasil

MIRIANE SANTOS3

UNIVERSIDADE ESTADUAL DO PIAUÍ.

PIAUÍ -

RESUMO: A empatia é construto psicológico que se refere a uma disposição funcional das pessoas para as trocas de experiências expostas de maneira incondicional em relação a outra pessoa e que poderá ser definido como uma resposta afetiva de origem evolutiva da forma mais apropriada frente à situação do outro do que da própria pessoa em si. Este estudo tem como objetivo verificar a diferença nas respostas de distintos jovens nas dimensões da empatia (consideração empática, tomada de perspectiva e angustia pessoal). 305 sujeitos, do sexo masculino e do sexo feminino, de 17 a 45 anos, distribuídos em diferentes contextos sócio-educacionais, na cidade de João Pessoa-PB, responderam a escala multidimensional de reatividade interpessoal (EMRI) e dados sóciodemográficos. Observou-se que, além dos indicadores psicométricos revelarem a segurança da estrutura fatorial da escala na presente amostra, pode-se destacar que os jovens religiosos reconhecem melhor a empatia (especialmente, a consideração empática, tomada de perspectiva e angustia pessoal) do que os jovens civis e militares.

Palavras Chave: Empatia; Jovens; Desenvolvimento psicológico.

FACTORIAL STRUCTURE AND DIFFERENCES IN

INTERPERSONAL REACTIVITY IN CIVIL,

MILITARY AND RELIGIOUS YOUTH.

Summary: Empathy is a psychological construct that refers to people’s functional inclination to experience exchanges exposed unconditionally over another person and can be defined as an affective response from an evolutionary origin of the most appropriate way towards other's situation rather than the person itself. This study aims to determine the difference in responses of distinct young people in terms of empathy dimensions (empathic concern, perspective taking and personal distress). 305 subjects, both male and female, between ages of 17-45 years old, divided in different socio-educational context in the city of João Pessoa- PB, responded to the multidimensional interpersonal reactivity scale (EMRI) and also socio-demographic data. It has been noticed that not only the psychometric indicators has proven itself to be safe in terms of the factor structure of the scale in this present sampling, but it can also be highlighted that religious young people recognize empathy better (especially in terms of empathic concern, perspective taking and personal distress) than civil and military young people.   

Keywords: Empathy; Youth; Psychological development.

                  1. INTRODUÇÃO

Considera-se a empatia um construto psicológico relacionado a disposição funcional das pessoas para as trocas de experiências, de maneira incondicional, em relação a outra pessoa; a empatia pode ser definida como uma resposta afetiva de origem evolutiva que sugere a forma pensamente, sentimento e ação apropriada frente mais à situação do outro do que da própria pessoa em si. Sendo assim, um sujeito considerado empático, teoricamente, terá a capacidade de experimentar as emoções e/ou ter pensamentos que, supostamente, a outra pessoa tem ou estaria experimentado; o sujeito adotaria o ponto de vista do outro, compreenderia suas motivações e necessidades e atribuiria atitudes e comportamentos ao outro com a função de prover ajuda, agregação, cuidado, justiça e solidariedade (Batson, Eklund, Chermok, Hoyt & Ortiz, 2007; Batson, Tricia, Highberger & Shaw, 1995; Davis 1983; Decety, 2005; Decety & Jackson, 2004; Decety, Michalska & Akitsuki, 2008; Enz & Zoll, 2006; Hoffman, 2000; Mehrabian & Epstein, 1972; Wispé, 1990).

Apesar da diversidade de instrumentos existentes para a avaliação da empatia (ver Siqueira; Barbosa; Alves, 1999; Ribeiro et. al., 2002; Primi; Bueno; Muniz, 2006; Woyciekoski, 2006; Gouveia, Guerra, Santos, Rivera & Singelis, 2007; Bandeira; Costa; Del Prette; Del Prette; Gerk-Carneiro, 2000; Del Prette; Del Prette, 2005; Falcone et. al., 2008; Galvão; Camino; Gouveia; Formiga, 2010) ainda considera-se que a escala de empatia desenvolvida por Davis (1983), conhecida como Escala Multidimensional de Reatividade Interpessoal (EMRI) é uma das medidas mais usadas, isto porque, segundo Formiga, Rique, Galvão, Camino e Mathias (2011; Ribeiro, Koller & Camino, 2002), ela é a escala que possui um corpo teórico organizado e de indicadores psicométricos que garantem uma definição e relação item-fator consistente e confiável na abordagem do construto da empatia. A EMRI tem sua importância, justamente, porque Davis (1983) parte de uma perspectiva metodológica e teórica com base numa visão psicogenética, evolutiva e multidimensional para a mensuração deste construto.

Esta escala tem sido traduzida, adaptada e validada em muitas línguas, considerando tanto as dificuldades linguísticas quanto e culturais. (Cliffordson, 2001; DeCorte, Buysse, Verhofstadt, Roeyers ponnet & Davis, 2007; Escrivá, 2004; Kazmierczak, Plopa & Retowski, 2007; Limpo, Alves & Catro, 2010; Ribeiro, Koller & Camino, 2001; Sampaio, Guimarães, Camino, Formiga & Menezes, 2011; Siu & Shek, 2005). Mas, de forma geral, a perspectiva teórica desenvolvida por Davis (1983) tem como pressuposto que as habilidades empáticas são distribuídas em quatro construtos independentes, os quais avaliam experiências afetivas e cognitivas da pessoa:

- Para a experiência cognitiva, destaca-se o construto tomada de perspectiva do outro (refere-se à capacidade cognitiva voltada para a compreensão e coordenação de percepções do outro que visem à solução de conflitos interpessoais e sociais) e fantasia (refere-se a habilidade de se identificar com personagens ficcionais em novelas, filmes e romances e sentir junto com eles, uma adesão involuntária às condições afetivas de alegria, tristeza, raiva etc. e/ou de necessidade destes personagens);

- A experiência afetiva, poderá ser acessada nas pessoas através da consideração empática (diz respeito à capacidade de avaliar e sentir com o outro, bem como do reconhecer seus afetos e necessidades, que pode ser experimentada no self como uma motivação de cunho pró-social que pode levar ao comportamento de ajuda) e a angustia pessoal (refere-se a um sentimento de tensão e desconforto, frente à condição de necessidade do outro, podendo gerar comportamentos de afastamento ao invés de comportamentos de ajuda).

Apesar da defesa do autor supracitado de que a empatia poderá ser reconhecida em termos de quatro fatores, no presente estudo não será considerado a dimensão da fantasia, pois tomará como orientação teórica-empírica os achados de Ribeiro, Koller e Caminho (2002) e Formiga, Rique, Galvão, Camino e Mathias (2012) quanto a tri-fatorialidade da escala. Desta forma, o presente estudo tem como objetivo as diferenças na pontuação médias das respostas dos sujeitos em diferentes contextos sociais e escolares.


MÉTODO

Amostra

Participaram do estudo 305 sujeitos, do sexo masculino (54%)e do sexo feminino (46%), de 17 a 45 anos (Média = 24,40; D.P. = 7,35) distribuídos em diferentes contextos sócio-educacionais: militar, religioso e civil, todos, na cidade de João Pessoa-PB. A amostra foi não probabilística, pois considerou-se a pessoa que, consultada, se dispusera a colaborar, respondendo o questionário que foi apresentado.

Instrumentos

Escala Multidimensional de Reatividade Interpessoal – EMRI. Trata-se de um instrumento elaborado por Davis (1983) e adaptado por Ribeiro et. al. (2001) para o contexto brasileiro. É composto por 21 itens objetivos, que devem ser respondidos em uma escala de 5 pontos (1 = baixa empatia e 5 = alta empatia). É um instrumento tipo lápis e papel que mensura a empatia a partir de duas dimensões afetivas (consideração empática e angústia pessoal) e uma cognitiva (tomada de perspectiva): a dimensão da consideração empática (CE) está relacionada aos sentimentos dirigidos para o outro e à motivação para ajudar pessoas em necessidade, perigo ou desvantagem (por exemplo, Sinto compaixão quando alguém é tratado injustamente; Quando vejo que se aproveitam de alguém, sinto necessidade de protegê-lo, etc.); a de angústia pessoal (AP) avalia as sensações afetivas de desconforto, incômodo e desprazer dirigidas para o self, quando o indivíduo imagina o sofrimento de outrem (por exemplo, Perco o controle quando vejo alguém que esteja precisando de muita ajuda; Fico apreensivo em situações emergenciais, etc.); já a dimensão de tomada de perspectiva (TP) mede a capacidade cognitiva do indivíduo de se colocar no lugar de outras pessoas, reconhecendo e inferindo o que elas pensam e sentem (por exemplo, Imagino como as pessoas se sentem quando eu as critico; Tento compreender meus amigos imaginando como eles vêem as coisas, etc.).

De acordo com Ribeiro et. al. (2001), a escala de empatia apresentou alfas que variaram de 0,50 a 0,67, bem como, correlações significativas entre os fatores [Angustia Pessoal (AP), Tomada de Perspectiva (TP), Consideração empática (CE)] que estiveram entre 0,14 a 0,85. Com base na perspectiva destes autores, Formiga, Rique, Galvão, Camino e Mathias (2012), a partir de uma análise fatorial confirmatório, observaram que o modelo trifatorial apresentou indicadores estatísticos que justificaram a fidedignidade e consistência deste modelo.

Além do EMRI foi utilizado um pequeno questionário para levantar alguns dados sociodemográficos como idade, sexo e renda economica dos participantes.

Procedimentos

Todos os procedimentos adotados nesta pesquisa seguiram as orientações previstas na Resolução 196/96 do CNS e na Resolução 016/2000 do Conselho Federal de Psicologia (Cns, 1996; Anpepp, 2000).

Administração

Colaboradores com experiência prévia na administração do EMRI foram responsabilizados pela coleta dos dados, e apresentaram-se nas salas de aula como interessados em conhecer as opiniões e os comportamentos dos alunos sobre as situações descritas nos instrumentos.

Solicitou-se a colaboração voluntária dos jovens no sentido de responderem um breve questionário. Após ficarem cientes das condições de participação na pesquisa, assinaram um termo de Consentimento Livre e Esclarecido. Foi-lhes dito que não havia resposta certa ou errada. A todos foi assegurado o anonimato das suas respostas informando que estas seriam tratadas em seu conjunto. A Escala Multidimensional de Reatividade Interpessoal de Davis – EMRI foi respondida individualmente.

Apesar de o instrumento ser auto-aplicável, contando com as instruções necessárias para que possam ser respondidos, os colaboradores na aplicação estiveram presentes durante toda a aplicação para retirar eventuais dúvidas ou realizar esclarecimentos que se fizessem indispensáveis. Um tempo médio de 30 minutos foi suficiente para concluir essa atividade.



Análise dos dados

Quanto à análise dos dados, na versão 21 do pacote estatístico SPSS para Windows, foram computadas estatísticas descritivas (tendência central e dispersão) e efetuadas os cálculos referidos a análise de variância (ANOVA one-way). Realizou-se, no AMOS GRAFICS 21, a análise fatorial confirmatória, a qual tinha como objetivo avaliar o modelo multidimensional, previamente encontrado pelos autores supracitados, bem como, os indicadores psicométricos da estrutura fatorial proposta (Formiga, Rique, Galvão, Camino & Mathias, 2012; Ribeiro, Koller & Caminho, 2002).

Considerou-se como entrada a matriz de covariâncias, tendo sido adotado o estimador ML (Maximum Likelihood). Sendo um tipo de análise estatística mais criteriosa e rigorosa, testou-se a estrutura teórica que se propõe neste estudo: isto é, a estrutura com quatro fatores. Esta análise apresenta alguns índices que permitem avaliar a qualidade de ajuste do modelo proposto (Bilich; Silva & Ramos, 2006; Byrne, 1989; Hair; Tatham; Anderson & Black, 2005; Tabachnick & Fidell, 1996; Van De Vijver & Leung, 1997); a seguir serão apresentados esses indicadores:

- O χ² (qui-quadrado) testa a probabilidade do modelo teórico se ajustar aos dados: quanto maior o valor do χ² pior o ajustamento. Entretanto, ele tem sido pouco empregado na literatura, sendo mais comum considerar sua razão em relação aos graus de liberdade (χ²/g.l.). Neste caso, valores até 3 indicam um ajustamento adequado; Raiz Quadrada Média Residual (RMR), que indica o ajustamento do modelo teórico aos dados, na medida em que a diferença entre os dois se aproxima de zero (Joreskög & Sörbom, 1989); O Goodness-of-Fit Index (GFI) e o Adjusted Goodness-of-Fit Index (AGFI) são análogos ao na regressão múltipla e, portanto, indicam a proporção de variância–covariância nos dados explicada pelo modelo. Os valores desses indicadores variam de 0 a 1, sendo que os valores na casa dos 0,80 e 0,90, ou superiores, indicam um ajustamento satisfatório; A Root-Mean-Square Error of Approximation (RMSEA), com seu intervalo de confiança de 90% (IC90%), é considerado um indicador de “maldade” de ajuste, isto é, valores altos indicam um modelo não ajustado. Assume-se como ideal que o RMSEA se situe entre 0,05 e 0,08, aceitando-se valores até 0,10; O Comparative Fit Index (CFI) -   compara de forma geral o modelo estimado ao modelo nulo, considerando valores mais próximos de um como indicadores de ajustamento satisfatório; Tucker-Lewis Index (TLI), apresenta uma medida de parcimônia entre os índices do modelo proposto e do modelo nulo. Varia de zero a um, com índice aceitável acima de 0,90; Expected Cross-Validation Index (ECVI) e o Consistent Akaike Information Criterion (CAIC) são indicadores geralmente empregados para avaliar a adequação de um modelo determinado em relação a outro. Valores baixos do ECVI e CAIC expressam o modelo com melhor ajuste.


RESULTADOS E DISCUSSAO

A fim de atender o objetivo deste estudo, inicialmente, procurou-se verificar a estrutura fatorial da escala EMRI, na amostra de sujeitos pesquisado; no pacote estatístico AMOS Grafics 21.0, efetuou-se uma análise fatorial confirmatória a fim de avaliar a tridimensionalidade da referida escala, previamente observada em estudos brasileiros por Ribeiro, Koller e Camino (2002) e confirmado por Formiga, Rique, Galvão, Camino e Mathias (2012) em brasileiros. Com isso, testou-se o modelo que se propunha, considerando a existência de três fatores da reatividade interpessoal: angústia pessoal (AP), consideração empática (CE), tomada de perspectiva (TP).

Optando-se por deixar livre as covariâncias (phi, φ) entre os fatores, estes, revelaram indicadores de qualidade de ajuste próximos as recomendações apresentadas na literatura [χ2/gl = 1. 71, RMR = 0.05, GFI = 0.99, AGFI = 0.97, CFI = 0.99, RMSEA (90%IC) = 0.01 (0.00-0.04), CAIC = 482,25 e ECVI = 1,12] (Byrne, 1989; Tabachnick & Fidell, 1996; Van De Vijver & Leung, 1997). De acordo com os resultados, o modelo trifatorial, o qual hipotetizado, com base nos autores supracitados, pode-se afirmar que tal estrutura fatorial além de consistente revela semelhante organização item-fator, garantindo a medida da empatia nos diferentes sujeitos pesquisados e a adequabilidade das dimensões da consideração empática, tomada de perspectivas e angustia pessoal.

Conhecido os indicadores de consistência da estrutura da escala EMRI, procurou-se atender ao objetivo central do estudo: avaliar as diferenças nos escores das respostas dos sujeitos nas dimensões da empatia (consideração empática, tomada de perspectivas e angustia pessoal); para isso, efetuou-se uma ANOVA one-way observando os seguintes resultados (ver gráfico):

- em relação a consideração empática, os escores médios das respostas dos jovens religiosos (Média = 28,22, DP = 4,33; IC95% – 27,35-29,09) foi superior quando comparou-se ao escore das respostas dos jovens civis (Média = 25,47, DP = 4,32; IC95% – 24.71-26,43) e dos jovens militares (Média = 21,99, DP = 3,16; IC95% – 21,38-22,60) [F (2,302 = 63,99, p < 0,01]; vale destacar que, os jovens civis tiveram escores médios superiores aos dos jovens miliares;

- no que diz respeito a tomada de perspectiva, também, observou-se que os escores médios das respostas dos jovens religiosos (Média = 23,77, DP = 4,00; IC95% – 27,36-29,09) foi maior do que o escore das respostas dos jovens civis (Média = 21,95, DP = 3,23; IC95% – 21,31-22,59) e dos jovens militares (Média = 21,44, DP = 3,25; IC95% – 20,81-22,07) [F (2,302 = 12,52, p < 0,01]; para essa dimensão da empatia, os escores entre os jovens civis e militares, pouco se diferenciaram em sua pontuação;

- por fim, no que se refere a angustia pessoal, os resultados também revelaram que os escores médios superiores foram para as respostas dos jovens religiosos (Média = 20,02, DP = 4,65; IC95% – 19,09-20,95) quando comparou com os escores das respostas dos jovens civis (Média = 17,06, DP = 5,42; IC95% – 15,98-18,14) e dos jovens militares (Média = 14,70, DP = 3,78; IC95% – 13,97-15,43) [F (2,302 = 33,58, p < 0,01]; já nessa dimensão da empatia observar-se que as médias dos escores vais se distanciando entre si entre as amostras.

Gráfico 1: Freqüência média dos escores das respostas em distintos jovens em relação as dimensões da empatia.

Notas: CE = Consideração Empática, TP = Tomada de Perspectiva, AP = Angustia Pessoal; JR= jovens religiosos, JC = jovens civis, JM = jovens militares.


Avaliando os resultados no gráfico 1 é possível notar uma diferenciação na hierarquia dos escores em cada grupo de sujeitos avaliados; inicialmente, destaca-se o quanto os escores médios dos jovens religiosos foram sempre maiores dos que os escores dos demais jovens (por exemplo, os civis e militares), em seguida, salienta-se, também, uma diminuição nos escores das respostas para todos estes grupos. Todavia, notou-se que a dimensão da consideração empática foi a que mais representou sentido para os respondentes, declinando em valor médio em relação ao reconhecimento das demais dimensões (por exemplo, a tomada de perspectiva e a angustia pessoal), esta por sua vez, pontuou mais alto para os jovens religiosos.

Tais resultados, especificamente, em relação aos jovens religiosos, provavelmente, estará relacionado ao desenvolvimento psiscossocial deles; pois, de acordo com a teoria da empatia desenvolvida por Davis (1983), o avanço social e cognitivo deste construto no sujeito, deve-se a perspectiva psicogenética, evolutiva e multidimensional que fundamenta essa teoria, que por sua vez, é gerado sob uma condição, sine quo non, tanto o processo socializador vivido pelos jovens no espaço sócio-religioso e educacioinal influenciador de um desenvolvimento dinâmica sócio-cogntiva que permitiria ao sujeito o reconhecimento e melhor adesão às habilidades à sensibilidade empática, a qual consecutivamente, influenciaria sua conduta social (Formiga, 2013).

Porém, isso não quer dizer que os sujeitos que venham aderir à determinada perspectiva de crença religiosa ou espiritual, seja aquele com melhor avaliação e desenvolvimento empático ao comparar com os demais sujeitos, que não estavam em espaço religioso, mas, provavelmente os jovens religiosos terão, em sua dinâmica sócio-religiosa, uma organização e esclarecimento tanto em relação a dimensão afetiva e cognitiva de tais habilidades empáticas frente as pessoas do seu entorno psicossocial da ação de sua crença. Essa condição poderia então, refletir na dinâmica de formação e pedagogia no trabalho das pessoas nas igrejas com os jovens respondentes a qual contribui para o desenvolvimento espiritual, mas, também, com base na atividade didático-religiosa, para a influência da capacidade de manter e administrar a empatia na vida dos respondentes (Formiga, Tavares & Vasconcelos, 2013; Formiga, Galvão, Santos, & Camino, 2012).

O construto psicológico desenvolvimentista da empatia, independente do contexto psicossocial em que os sujeitos estão inseridos, é reconhecido por eles, os quais foram capazes de avaliar a empatia, com alguns dos sujeitos aderindo mais, outros menos. O fato é que seria importante desenvolver atividades educacionais e sociais que investissem no fortalecimento da situação-sujeito fomentando neles não apenas a preocupação com o outro, mas, uma ressonância interpessoal, capaz de influenciar outros sujeitos e gerar mudança de comportamento (Formiga, Tavares & Vasconcelos, 2013).

Com base nas concepções dos autores supracitados, o reconhecimento de uma medida sobre a empatia para os jovens que participaram do estudo, pressupõe a capacidade de que eles podem acessar espaços cognitivos ou afetivos deste construto e que, provavelmente, tenderá a buscar, hipoteticamente, quando acessado no espaço Psi, o respeito, a compreensão do outro e a inserção no espaço psicossocial do outro, com suas experiências e trocas destas, objetivando avanços psicológicos e sociais; de forma geral, provavelmente, os jovens religiosos teriam melhor capacidade para isso, enquanto os jovens militares menor capacidade.


CONCLUSÃO

Teoricamente, o sujeito que desenvolva melhor habilidade empática, poderia ser aquele que colaboraria com o espaço psicossocial do outro, dispondo-se tanto de aberturas no seu espaço interpessoal do sentir, quanto do pensar no outro. Essa condição, provavelmente, será mais sensível à percepção da situação em que o outro está envolvido, colocando-se assim, lugar de quem necessitada de ajuda e/ou compreensão, bem como, sentir o que o outro sente e motivar-se para a cooperação (Formiga, Tavares & Vasconcelos, 2013; Formiga, Camino & Galvão, 2009; Hoffman, 2000; Sampaio, Monte, Camino & Roazzi, 2008).

Por fim, espera-se que os objetivos deste estudo tenham sido cumpridos, especialmente, no que se refere a avaliação das diferenças nas respostas entre os sujeitos que participara do estudo; todavia, apesar destes resultados revelarem condições teóricas e empíricas que garantem tanto a perspectiva da teoria quanto da medida da empatia em jovens, faz-se necessário salientar que quando considerar os achados do presente estudo em outros contextos sociais é necessário ter em conta os aspectos mais específicos ou universais de cada cultura na avaliação dessas escalas quando se pretender refutá-las ou não com outras amostras considerando o espaço geo-político e social (Muenjohn & Armstrong, 2007; Triandis e cols, 1993; Triandis, 1994; Van de Vijver & Leung, 1997).

Para isso, estudos futuros seriam de grande contribuição se comparasse jovens de semelhantes amostras e jovens em situação de risco; outro estudo que seria útil tratar-se-ia de avaliar jovens em diferentes perspectivas religiosos (por exemplo, cristãs, espiritualistas, não cristãs e não ocidentais, etc.).

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1 Doutor em Psicologia Social pela Universidade Federal da Paraíba. Atualmente é professor do curso de Psicologia na Faculdade Mauricio de Nassau – JP. Endereço para correspondência: Avenida Guarabira, 133. Bairro de Manaíra. CEP.: 58038-140. João Pessoa - PB. Brasil. E-mail: nsformiga@yahoo.com.

2 Alunas do curso de Psicologia na Faculdade Mauricio de Nassau – JP.

3 Doutora em Psicologia Social pela Universidade Federal da Paraíba, Professora da Universidade Estadual do Piauí.

 

 

 

 

 

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